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filosofia

 

Maurizio Lazzarato, membro fundador da revista Multitudes junto com o filósofo italiano Toni Negri, retoma Deleuze e Guattari para uma abordagem crítica do marxismo clássico, que se constituía em uma ferramenta de transformação. “O que se produz já está vendido – assinala –, porque antes se converteu em objeto de desejo”.

A reportagem é de Pedro Lipcovich, publicada no jornal Página/12, 20-12-2010. A tradução é de Anne Ledur.

Eis a entrevista.

Você desenvolveu a noção de que o capitalismo é “produtor de subjetividade”. Que diferença haveria entre a subjetividade produzida pelo capitalismo em suas primeiras etapas e a que se produz na atualidade?

Atualmente vigora um capitalismo social e do desejo. Na primeira fase do capitalismo se tratava, acima de tudo, de produzir, e depois vinha o consumo.  Hoje é ao contrário: um carro se produz depois de ter sido vendido, quero dizer, depois de ter sido constituído como objeto de desejo. Aqui entra a publicidade, o marketing.

Por que antes isso não era necessário?

Há um século não funcionava assim. Isso começou nos Estados Unidos, e um dos que introduziram essa concepção de marketing foi Edward Bernays, sobrinho de Freud. É sintomático que tenha sido o sobrinho de Freud, o fundador da noção do desejo inconsciente, quem introduziu esta passagem no capitalismo: construir o objeto como valor de desejo. Desejo massivo: é necessário que se mostre na televisão, que seja testado por consumidores. Há um século isso não se concebia, porque os operários não eram consumidores do que produziam. Henry Ford foi quem, a partir do barateamento gerado pela produção em série, propôs: “Meus produtos são comprados por meus operários”. Hoje em dia o capitalismo, para funcionar, deve produzir subjetividade, tanto no trabalho quanto no consumo. Em ambos planos a subjetividade mudou.

Em que mudou a subjetividade, da perspectiva do trabalho?

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Originalmente publicado aqui oh: http://www.widewalls.ch/situationism-influence-history/

It is rare for an art movement to be completely original. The go forward meanings of avant-garde do not mean that its movements are a tabula rasa and this is certainly true for Situationism. Spurred by many previous concepts, this artistic and political movement started emerging during the early 1960s in France and it experimented with the idea of constructing a situation – hence the name. Constructing a situation was setting up an environment favorable for the fulfillment of a particular desire. This was the main concept for all representatives of Situationism[1]. All of the initial theories concerning the development of this movement came from an organization called Situationist International (often referred to simply as SI) – a group whose activities we shell investigate to detail in the remainder of this text.
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O poder age em nós através da melancolia. Não há nenhuma dominação que seja baseada apenas na coerção, mas toda dominação só pode se realizar como uma forma de amor. Amamos o que nos domina, o que nos leva à questão de saber que forma é esta de amor que organiza nossa servidão. Se partirmos da compreensão freudiana de que a melancolia é uma forma de amor, a saber, amor por objetos perdidos que nunca podem ser elaborados, podemos ter um eixo para compreender as dinâmicas psíquicas da sujeição.

Peter Pál Pelbart nasceu em Budapeste, capital da Hungria, em 1956. Ao Brasil, chegou ainda rapaz; foi a Paris para estudar na Sorbonne e retornou na década de 1980, quando fez mestrado e doutorado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Filósofo, tradutor, referência nos estudos e nas reflexões sobre a obra de Gilles Deleuze e professor do Departamento de Filosofia e do Núcleo de Estudos da Subjetividade da pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP, ele transcende as fronteiras acadêmicas em seus campos de atuação – é fundador e coordenador do grupo Companhia Teatral Ueinzz, no qual trabalha com pacientes e ex-usuários de um hospital psiquiátrico paulistano, e um dos criadores da n-1 edições, voltada para a publicação de “livros-objeto” que abordem e reelaborem questões cruciais da contemporaneidade. E foi sobre a impossibilidade do silêncio, um dos mais agudos temas da atualidade, que ele falou à Continente.

CONTINENTE: O que não conseguimos ouvir por conta do ruído de tanta modernidade?

PETER PÁL PELBART: Diria assim, para começar, que se vive hoje uma espécie de saturação em todos os sentidos: de imagens, palavras, sons, estímulos e excitação. Há uma espécie de mobilização total de todos os sentidos o tempo inteiro. Esse “turbocapitalismo” precisa disso: mobilizar o corpo, os sentidos, capturar a atenção, preencher ao máximo os espaços mentais – e isso, de algum modo, comanda. Quer dizer, não é gratuito, é um certo modo de controle, de plugagem, de monitoramento, de direcionamento. Talvez o mais difícil, praticamente impossível, seja se desplugar, desconectar-se. Hoje, tudo é feito para conexão absoluta, a mais saturada possível.

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Acaba de ser publicado no Brasil o livro 24/7 – Capitalismo tardio e os fins do sono (Cosac Naify), ensaio do norte-americano Jonathan Crary, professor de arte moderna e teoria da arte, sobre como o sono é a única fronteira não dominada pela lógica da mercadoria. Crary recorre tanto a estratégias militares quanto a cultura popular para mostrar o surgimento de uma cultura “24/7”, na qual a economia força tudo a funcionar 24 horas por dia, uma lógica que vê como empecilho o sono e o descanso humano.

O teórico respondeu a quatro perguntas do Blog do IMS acerca de seu livro:

1. No livro 24/7, você mostra estratégias bastante concretas do regime capitalista para que o sono seja “conquistado”. Por que você considera isso algo específico do capitalismo? Países como Cuba ou Coreia do Norte não demonstram tendências similares?

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