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arte

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Luiz Camillo Osorio – Março de 2017

O que nos faz gostar de arte? Como ela atua na nossa formação? Qual a diferença e qual a relação entre gostar e conhecer? As novas tecnologias facilitam ou prejudicam nossa lida com as obras de arte? Faz algum tempo, enquanto visitava um grande museu e sua coleção, reparei que  muitas pessoas passavam o mesmo tempo lendo as etiquetas e vendo as obras. Uns 15 segundos em cada direção, sendo otimista. Entre uma coisa e outra sobrava tempo para um comentário/suspiro do tipo: Manet! Monet! Cézanne! Saber de quem se tratava, ser um nome familiar, tornava o olhar curiosamente ainda mais rápido, como se o reconhecimento liberasse a atenção em relação ao que estava sendo visto – no caso pinturas.

A presença das etiquetas, dos textos de apresentação e de comentários nas paredes é parte da função informativa e pedagógica dos museus. Acrescentar a estas estratégias os aplicativos para celulares ou tablets pode ser tido como um passo adiante. Vale a pena saber a técnica, a data e, eventualmente, o título dos trabalhos. Há textos de curadores que muitas vezes nos ajudam a perceber as obras e o partido conceitual da exposição, que aumentam nossa capacidade de diálogo com as obras e seus contextos histórico, cultural e político.

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Alemanha, 1995, vídeo, cor/pb, 36’

A partir de um dos primeiros filmes dos irmãos Lumière, Farocki faz uma montagem com cenas produzidas ao longo de 100 anos de história do cinema, contendo variações do motivo “A saída dos operários da fábrica”. Extrai das imagens reflexões sobre a iconografia e a economia da sociedade de trabalho, e também sobre o próprio cinema.

“A arte não leva à conclusão de coisa nenhuma. Ainda bem, ela é só questionamento; eu acho. Para mim mesmo, ela funciona um pouco assim, embora eu acredite que a arte seja também a construção de quem faz. Quer dizer, eu me construo através do meu trabalho. Eu penso em mim pensando nele.”

Antonio Dias

A obra Faça você mesmo: território liberdade, de 1968, é um mapa que cada um pode construir no chão com fita adesiva,  sugerindo a existência de um espaço simbólico para a experimentação e a invenção. Na posição de um emblema para falar de Antonio Dias, a obra traduz o modo como esse artista se move no espaço do território da arte. No território da arte, lugar de  possibilidades diversas para Antonio Dias, o artista se questiona, problematizando a linguagem da arte, numa produção de  mutação constante, ancorada numa poética que se alimenta de “várias modalidades de expressão, criticando-as, apontando seus dilemas, suas promessas, sua subserviência”.

Matéria d Jornal o Globo que pode ser lida aqui: http://oglobo.globo.com/cultura/para-joseph-kosuth-maior-artista-conceitual-vivo-arte-nao-sobre-beleza-9320102

Quando Joseph Kosuth fez a mais importante obra de sua carreira, tinha apenas 20 anos. O artista não contou a idade ao MoMA, de Nova York, que, na época, comprou a peça — “Uma e três cadeiras”, de 1965, talvez a mais icônica obra da arte conceitual, ao lado da “Fonte”, de Marcel Duchamp. Kosuth temia não ser levado a sério — e só revelou a idade aos 28, ainda jovem, mas já consagrado como o mais importante artista conceitual vivo.

Aos 68 anos, o americano virá ao Brasil em agosto, para relembrar histórias como a do MoMA e reforçar sua defesa de que “arte não é sobre beleza”, mas sobre conceito. Foi ele, afinal, quem exibiu, em museus mundo afora desde os anos 1960, verbetes de dicionário — ora “a seco” (apenas palavras coladas nas paredes), ora em néon. Com letras pretas sobre fundo branco, cobriu de galerias em Nova York a museus na Áustria, como na instalação “Zero & Not” (1987). E, com néon, criou obras para o Louvre e para a Bienal de Veneza, como “Il Linguaggio dell’Equilibrio”, na mostra de 2007.

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