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Monthly Archives: June 2015

Michael Rakowitz, Joe Heywood’s paraSITE shelter, 2000. Battery Park City, Manhattan. Plastic bags, polyethylene tubing, hooks, tape. Courtesy of the artist and Lombard Freid Gallery, NY

Excelente texto de Boris Grois sobre Arte e Ativismo: Pode ser lido aqui: http://www.e-flux.com/journal/on-art-activism/

Art activism’s attempts to combine art and social action come under attack from both of these opposite perspectives—traditionally artistic and traditionally activist ones. Traditional artistic criticism operates according to the notion of artistic quality. From this point of view, art activism seems to be artistically not good enough: many critics say that the morally good intentions of art activism substitute for artistic quality. This kind of criticism is, actually, easy to reject. In the twentieth century, all criteria of quality and taste were abolished by different artistic avant-gardes—so, today, it makes no sense to appeal to them again. However, criticism from the other side is much more serious and demands an elaborate critical answer. This criticism mainly operates according to notions of “aestheticization” and “spectacularity.” A certain intellectual tradition rooted in the writings of Walter Benjamin and Guy Debord states that the aestheticization and spectacularization of politics, including political protest, are bad things because they divert attention away from the practical goals of political protest and towards its aesthetic form. And this means that art cannot be used as a medium of a genuine political protest—because the use of art for political action necessarily aestheticizes this action, turns this action into a spectacle and, thus, neutralizes the practical effect of this action. As an example, it is enough to remember the recent Berlin Biennale curated by Artur Żmijewski and the criticism it provoked—described as it was by different ideological sides as a zoo for art activists.

In other words, the art component of art activism is often seen as the main reason why this activism fails on the pragmatic, practical level—on the level of its immediate social and political impact. In our society, art is traditionally seen as useless. So it seems that this quasi-ontological uselessness infects art activism and dooms it to failure. At the same time, art is seen as ultimately celebrating and aestheticizing the status quo—and thus undermining our will to change it. So the way out of this situation is seen mostly in the abandoning of art altogether—as if social and political activism never fails as long as it is not infected by art viruses.

HARDT, Michael; NEGRI, Antônio. Multidão: guerra e democracia na era do imperio. Tradução: Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 2005.

“A cena contemporânea do trabalho e da produção, como explicaremos, está sendo transformada sob a hegemonia do trabalho imaterial, ou seja, trabalho que produz produtos imateriais, como a informação, o conhecimento, idéias, imagens, relacionamentos e afetos. Isto não significa que não exista mais uma classe operária industrial trabalhando em máquinas com suas mãos calejadas ou que não existam mais trabalhadores agrícolas cultivando o solo. Não quer dizer nem mesmo que tenha diminuído em caráter global a quantidade desses trabalhadores. Na realidade, os trabalhadores envolvidos basicamente na produção imaterial constituem uma pequena minoria do conjunto global. O que isto significa, na verdade, é que as qualidades e as características da produção imaterial tendem hoje a tranformar as outras formas de trabalho e mesmo a sociedade como um todo. Algumas dessas novas características decididamente não são bem-vindas. Quando nossas idéias e nossos afetos, nossas emoções, são postos para trabalhar, por exemplo, sujeitando-se assim, de uma nova maneira, às ordens do patrão, frequentemente vivenciamos novas e intensas formas de violação ou alienação. Além disso, as condições contratuais e materiais do trabalho imaterial que tendem a se disseminar por todo o mercado de trabalho vêm tornando mais precária a posição do trabalho de maneira geral. Existe por exemplo a tendência, em várias forma de trabalho imaterial, para o obscurecimento da distinção entre horários de trabalho e de não trabalhar, estendendo o dia de trabalho indefinidamente até ocupar toda a vida, e uma outra tendência para o funcionamento do trabalho imaterial sem contratos estáveis de longo prazo, assumindo com isto a posição precária de se tornar flexível (realizar várias tarefas) e móvel (estar constantemente mudando de lugar). Certas características do trabalho imaterial, que tendem a transformar outras formas de trabalho, apresentam um enome potencial para a transformação social positiva. (Paradoxalmente, essas característica positivas são o lado dinâmico das consquências negativas). Em primeiro lugar, o trabalho imaterial tende a sair do mundo limitado do terreno estritamente econômico, envolvendo-se na produção e na reprodução geral da sociedade como um todo. A produção de idéias, conhecimentos e afetos, por exemplo, não cria apenas meis através dos quais a sociedade é formada e sustentada; esse trabalho imaterial também produz diretamente relações sociais. O trabalho imaterial é biopolítico na media em que se orienta para a criação de formas de vida social; já não tende, portanto, a limitar-se ao econômico, tornando-se também imediatamente uma força social, cultural e política. Em última análise, em termos filosóficos, a produção envolvida aqui é a produção de subjetividade, a criação e a reprodução de novas subjetividades na sociedade. Quem somos, como encaramos o mundo, como interagimos uns com os outros: tudo isto é criado através dessa produção biopolítica e social. Em segundo lugar, o trabalho imateiral tende a assumir a forma social de redes baseada na comunicação, na colaboração e nas relações afetivas. O trabalho imaterial só pode ser realizado em comum, e está cada vez mais inventando novas redes independentes de cooperação através das quais produzir. Se sua capacidade de investir e transformar todos os aspectos da sociedade e sua forma em redes colaborativas são duas características extraordinariamente poderosas que o trabalho imaterial vem disseminando para outras formas de trabalho. Essas características podem servir como um esboço preliminar da composição social da multidão que hoje anima os movimentos de resistência ao estado global permanente de guerra.” (HARDT; NEGRI, 2005, p. 100-101).